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Sobre Kelli

Minha história

Sou mãe do Nicolas, diagnosticado com TDAH antes dos 5 anos — e foi através da vivência com ele que minha caminhada ganhou um novo sentido. Esta é a história de como buscar respostas para ajudá-lo me fez encontrar respostas sobre mim mesma.

Kelli com o filho Nicolas

Ao buscar respostas para ajudá-lo, percebi que muito do que eu sentia — ansiedade, tristeza profunda e dificuldades de organização — e uma pergunta começou a tomar conta da minha mente:

— Será que eu também tenho TDAH?

Esse despertar transformou minha vida. Enquanto estudo para cuidar do meu filho, também estou cuidando de mim. E, nesse processo, compreendi algo ainda maior: Deus tem me guiado para apoiar outras mães e crianças que enfrentam desafios parecidos — TDAH, ansiedade, depressão e toda a carga emocional que acompanha esses diagnósticos.

Hoje, uso minha experiência pessoal, minha formação em Nutrição e meus estudos em Neuronutrição para oferecer acolhimento, conhecimento e esperança. Aqui, compartilho tudo o que gostaria de ter encontrado quando comecei essa jornada.

Um padrão que eu não sabia nomear

Eu sempre gostei de compartilhar minha vida e, por muito tempo, fiz isso com espontaneidade. Não sentia vergonha e pouco me preocupava com a opinião dos outros. Mas, por trás dessa aparente leveza, existiam traços que eu ainda não compreendia: a autocrítica constante, o perfeccionismo que muitas vezes me paralisava e uma necessidade de corresponder às expectativas — minhas ou dos outros — que eu sequer percebia que carregava.

Com o tempo, comecei a enxergar um padrão. Eu iniciava projetos com uma motivação enorme, quase explosiva, mergulhava intensamente no que despertava meu interesse e acreditava: "Agora vai!". Mas, muitas vezes, pouco tempo depois, perdia o fôlego.

Era frustrante não conseguir sustentar o mesmo ritmo. Eu esquecia detalhes, tinha dificuldade para me organizar, procrastinava tarefas importantes, abraçava novas ideias antes de concluir as anteriores, sempre querendo me aprofundar nos assuntos e não ficar no raso, e podia passar horas completamente absorvida por algo que me interessava, enquanto travava diante de tarefas aparentemente simples.

Minha mente parecia estar sempre ligada — cheia de ideias, planos e possibilidades — mas nem sempre conseguia transformar tudo aquilo em ação consistente.

Hoje consigo reconhecer nessa história características que também aparecem no TDAH:

  • impulsividade ao abraçar novas ideias e projetos;
  • dificuldade em organizar, planejar e concluir determinadas tarefas;
  • procrastinação, especialmente diante de atividades pouco estimulantes;
  • dificuldade de administrar prioridades e tempo;
  • períodos de intensa concentração em assuntos de grande interesse;
  • oscilação da motivação conforme a novidade e o interesse diminuíam;
  • e uma enorme exaustão por tentar compensar, diariamente, dificuldades que eu ainda não compreendia.

Quando adoeci nesse caminho

Mas havia uma consequência ainda mais dolorosa. Os anos passavam e eu olhava para tudo o que havia começado e abandonado. Eu estudava muito, acumulava conhecimento, tinha sonhos e sabia que poderia construir uma vida profissional que me realizasse e me proporcionasse independência financeira.

Mas havia um medo paralisador entre aquilo que eu sabia que poderia fazer e aquilo que efetivamente conseguia realizar.

E eu adoeci emocionalmente nesse caminho.

Tive períodos muito difíceis de ansiedade e depressão. Vivia chorando, sentia-me frustrada comigo mesma e carregava uma sensação constante de incapacidade. Era como assistir aos anos passando enquanto eu permanecia no mesmo lugar — sabendo o quanto estudava, o quanto sonhava e o quanto desejava construir alguma coisa, mas sem conseguir transformar tudo aquilo em movimento.

Hoje também consigo olhar para essa fase com mais cuidado. O TDAH não explicava sozinho tudo o que eu estava vivendo. Ansiedade e depressão podem coexistir com o transtorno e, no meu caso, outros fatores também precisavam ser considerados. Eu me aproximava dos 40 anos, meu corpo começava a passar pelas mudanças do climatério, havia sobrecarga emocional, maternidade, dores físicas, frustrações profissionais e anos de padrões que eu ainda não sabia reconhecer.

Talvez por isso tenha demorado tanto para entender o que estava acontecendo comigo. Eu tentava encontrar uma única explicação para um sofrimento que, na verdade, tinha muitas camadas.

Eu era constantemente inconstante

Mas uma frase resume muito bem como eu vivia:

Eu era constantemente inconstante.
Em tudo.

E escrever isso hoje ainda mexe profundamente comigo.

Porque, durante muitos anos, interpretei essa inconstância como falta de força de vontade. Achava que eu era fraca. Que me faltava determinação. Via pessoas simplesmente fazendo aquilo que precisavam fazer e me perguntava: "Por que eu não consigo simplesmente ir lá e fazer também?"

Eu não enxergava o tamanho da batalha que acontecia dentro da minha própria mente.

Quando comecei a compreender meu funcionamento, um peso enorme começou a sair das minhas costas. Não porque encontrar explicações apagasse minha história ou retirasse de mim a responsabilidade pelas minhas escolhas. Mas porque finalmente eu conseguia olhar para aquela mulher que chorava, começava, parava, tentava novamente e se culpava por não conseguir sustentar o que havia começado — e compreendê-la.

Eu não precisava de mais culpa. Eu precisava de compreensão, cuidado e ferramentas.

E existe uma diferença enorme entre usar uma explicação como desculpa e usá-la como ponto de partida para mudar.

O reencontro comigo mesma e com o meu propósito

Aos poucos, aquela transformação física e emocional começou a abrir espaço para algo ainda maior: clareza.

O diagnóstico do Nico foi um espelho. Enquanto buscava respostas para ajudá-lo, comecei a encontrar respostas sobre mim. E isso mudou tudo.

Foi então que mergulhei nos estudos com outra intenção: não apenas ser "nutricionista", mas compreender de verdade como o cérebro funciona, como a alimentação influencia emoções, comportamento, foco, humor, sono... e como a mente e o corpo conversam o tempo inteiro.

A Neuronutrição entrou na minha vida como um chamado. Não apenas uma área de conhecimento, mas uma forma de enxergar o ser humano de maneira completa — incluindo mães que, assim como eu, carregavam dores antigas, autocobranças invisíveis, culpa, medo de falhar e um cansaço emocional que ninguém reconhecia.

Eu entendi, na prática, que:

  • o corpo fala quando a alma está cansada;
  • a mente exige cuidado tanto quanto o físico;
  • a alimentação muda caminhos neurológicos;
  • e que nenhuma mãe deveria passar por tudo isso sozinha.

Com o tempo, minha fé me mostrou que nada era coincidência. As quedas, a ansiedade, a depressão silenciosa, o perfeccionismo, a baixa autoestima, a frustração de abandonar projetos, a culpa materna, o medo de não ser suficiente... tudo isso estava me preparando para algo maior.

Hoje, eu entendo meu propósito com profundidade: ajudar mães, crianças e famílias a enxergarem o TDAH, a ansiedade e a depressão com acolhimento, ciência, amor e esperança. Mostrar que existe caminho, existe tratamento, existe vida plena — e que entender o próprio funcionamento é uma libertação.

Voltar para a Nutrição não foi um retorno qualquer. Foi um reencontro com quem eu realmente sou.

E agora, com conhecimento, vivência, fé e propósito, eu transformo a dor que me paralisou durante anos em direção para guiar outras mulheres que também precisam dessa luz.

Se você se reconhece nessa história

Vamos conversar?

Se algo do que você leu aqui soou familiar — em você ou em alguém que você ama — talvez seja hora de entender como esse cuidado pode se tornar individualizado para o seu caso.

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